Hermillo Candido da Costa Alves (1842–1906) foi um engenheiro brasileiro, reconhecido por sua atuação no desenvolvimento ferroviário do Império do Brasil e por sua defesa da adoção da bitola estreita (0,762 m) nas ferrovias do país. Sua trajetória está intimamente ligada à história da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), uma das mais emblemáticas ferrovias mineiras do século XIX, onde exerceu papel de destaque como engenheiro-chefe.

Carreira e contribuições

Proponente de ferrovias Em fevereiro de 1872, Hermillo Alves, em parceria com o engenheiro Eduardo Mendes Limoeiro, apresentou um requerimento ao Ministério da Agricultura solicitando a concessão para a construção de uma estrada de ferro de bitola estreita que partiria do ponto onde a Estrada de Ferro D. Pedro II (EFDPII) abandonava o Rio das Mortes e seguiria até a cidade de Lavras. Embora o projeto não tenha se concretizado sob sua direção, ele antecipou o traçado e a concepção técnica que seriam mais tarde retomados pela Estrada de Ferro Oeste de Minas, consolidando a ligação entre a Corte e São João del-Rei.

Engenheiro-chefe da Estrada de Ferro Oeste de Minas

Hermillo Alves foi nomeado engenheiro-chefe da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), onde desempenhou papel central na implementação do sistema ferroviário regional. Sua atuação coincidiu com o período de consolidação da bitola estreita como solução técnica para a expansão ferroviária em áreas de relevo acidentado e densidade populacional reduzida.

Defesa da bitola estreita Um dos mais vigorosos defensores da bitola de 0,762 m (2 1⁄2 pés), Alves argumentava que esse padrão permitiria ao país reduzir significativamente os custos de implantação e operação das ferrovias. Segundo ele, a escolha feita por Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa para a EFOM fora "acertadamente aceita pela companhia" e, caso tivesse sido adotada em outras concessões, poderia ter "reduzido de alguns milhares de contos os encargos do tesouro nacional".

Produção técnica e intelectual Além de engenheiro atuante, Hermillo Alves colaborou com publicações técnicas. Foi articulista da Revista de Estradas de Ferro, dirigida por Francisco Barreto Picanço da Costa, um dos principais periódicos especializados do período. Em 30 de dezembro de 1886, publicou o artigo “A Estrada de Ferro d’Oeste de Minas e seu prolongamento”, no qual apresentou uma análise detalhada sobre a viabilidade, utilidade e êxitos operacionais da EFOM, contribuindo para consolidar o debate técnico sobre a bitola estreita e a modernização ferroviária nacional.

Legado Hermillo Cândido da Costa Alves é lembrado como um dos **pioneiros da engenharia ferroviária brasileira**, cuja atuação técnica e intelectual contribuiu para o sucesso da Estrada de Ferro Oeste de Minas e para a difusão da bitola estreita no Brasil. Seu pensamento antecipou práticas de racionalização econômica e adaptação tecnológica que marcariam a expansão ferroviária no final do século XIX, especialmente em Minas Gerais e São Paulo.

Referências

Bibliografia Santos, Welber Luiz dos (2021). «American Way of Rails: tecnologia e a construção da Estrada de Ferro D. Pedro II em perspectiva atlântica e no contexto da segunda escravidão (1835–1889)». Repositório Institucional da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Consultado em 11 de outubro de 2025

Ver também Aureliano Mourão Estrada de Ferro Oeste de Minas Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa Paulo Freitas de Sá