O Governo Hermes da Fonseca corresponde ao período em que Hermes Rodrigues da Fonseca exerceu a Presidência da República do Brasil, entre 15 de novembro de 1910 e 15 de novembro de 1914, durante a Primeira República. Seu mandato foi marcado pela intensificação da participação militar na política, pelas intervenções federais nos estados conhecidas como política das salvações e por conflitos sociais e regionais.
Contexto histórico A Primeira República Brasileira (1889–1930) caracterizou-se pelo predomínio das oligarquias estaduais e pela política do café com leite, que alternava o poder entre São Paulo e Minas Gerais. A eleição de Hermes da Fonseca representou uma relativa ruptura nesse arranjo, ao contar com forte apoio das Forças Armadas, especialmente do Exército. Hermes da Fonseca era sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República, e possuía carreira militar destacada. Sua candidatura foi apoiada pelo Partido Republicano Conservador (PRC) e enfrentou a chamada Campanha Civilista, liderada por Ruy Barbosa, que defendia a supremacia do poder civil sobre o militar.
Ascensão à Presidência Hermes da Fonseca tomou posse em 15 de novembro de 1910, prometendo fortalecer as instituições republicanas e promover maior equilíbrio entre os estados. Contudo, seu governo acabou marcado por uma presença crescente dos militares na administração pública e na política nacional.
Política das salvações
Um dos aspectos mais característicos do governo Hermes da Fonseca foi a chamada política das salvações, que consistiu em intervenções federais em diversos estados com o objetivo declarado de combater oligarquias locais consideradas corruptas ou opositoras ao governo federal. Essas intervenções ocorreram, entre outros estados, em:
Pernambuco Bahia Ceará Alagoas Na prática, a política das salvações intensificou os conflitos políticos regionais e ampliou a instabilidade institucional, ao enfraquecer o pacto federativo da Primeira República.
Política econômica
A economia durante o governo Hermes da Fonseca foi afetada por dificuldades financeiras herdadas dos governos anteriores e pela instabilidade política. O governo manteve a dependência da exportação de café e enfrentou problemas como:
queda nas receitas públicas; dificuldades no pagamento da dívida externa; necessidade de novos empréstimos internacionais. Em 1914, o Brasil aderiu a um novo acordo financeiro com credores estrangeiros, conhecido como Funding Loan, visando reorganizar as finanças públicas.
Conflitos sociais e regionais O governo Hermes da Fonseca enfrentou importantes conflitos internos, entre os quais se destacam:
Revolta da Chibata (1910)
Ocorreu no início do mandato e foi liderada por marinheiros, majoritariamente negros, que protestavam contra os castigos físicos na Marinha, especialmente a chibata. Após prometer anistia e o fim das punições, o governo reprimiu o movimento, resultando em prisões e mortes.
Guerra do Contestado (1912–1916)
Conflito de caráter social, religioso e fundiário ocorrido entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Teve início durante o governo Hermes da Fonseca e envolveu populações camponesas marginalizadas, sendo reprimido com forte ação militar.
Política externa Na política externa, o governo manteve uma postura diplomática relativamente discreta, buscando preservar relações comerciais estáveis com as potências europeias e com os Estados Unidos. O início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, coincidiu com o final de seu mandato, ainda sem grande impacto imediato sobre a política externa brasileira.
Avaliação e legado O governo Hermes da Fonseca é geralmente avaliado de forma crítica pela historiografia, sobretudo devido à militarização da política, à fragilização do federalismo e à repressão violenta a movimentos sociais. Apesar disso, seu governo evidencia as tensões estruturais da Primeira República e os limites do modelo oligárquico vigente.
Ver também Primeira República Brasileira Campanha Civilista Revolta da Chibata Guerra do Contestado Governo Venceslau Brás
Referências