Quase três em cada dez crianças e adolescentes avaliados pelo projeto Brasil Coração Saudável apresentaram pressão arterial na faixa de hipertensão durante uma triagem nas escolas. O levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou a alteração em 28,3% dos participantes, enquanto outros 11,6% tiveram pressão acima do normal, classificada como pré-hipertensão.Os resultados são da primeira fase do programa, que avaliou 6.092 estudantes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre três de junho e sete de outubro de 2026.As medições foram repetidas durante uma única visita à escola. Conforme o material divulgado, o diagnóstico clínico de hipertensão em crianças exige confirmação em outras consultas. A maior parte dos participantes estava em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, com 2.973 e 3.059 estudantes, respectivamente. Em São Paulo, foram avaliados 60 alunos. Os números apresentados correspondem às crianças e aos adolescentes examinados nas escolas participantes. Leia também SaúdeEstudo aponta que 6 em cada 10 pessoas não sabem que têm pressão alta Claudia MeirelesProblema nos rins pode causar pressão alta? Cardiologista explica a relação Claudia MeirelesCardiologista aponta hábitos comuns capazes de provocar pressão alta SaúdePotássio pode ser aliado no controle da pressão alta, diz estudo Pressão alterada foi mais frequente entre os meninosA pressão na faixa de hipertensão apareceu em 29,8% dos meninos e em 26,9% das meninas. Na comparação por idade, a proporção foi de 30,2% entre os participantes de sete a 10 anos, de 23,6% entre os de 11 a 14 anos e de 34% no grupo de 15 a 18 anos.O levantamento também identificou uma frequência maior da alteração entre estudantes com excesso de peso. Na análise dos participantes de sete a 18 anos, os resultados foram:Peso adequado: 22,6% apresentaram pressão na faixa de hipertensão.Sobrepeso: a proporção foi de 30,1%.Obesidade: o percentual chegou a 48,4%, quase metade do grupo.No conjunto dos avaliados, 33,1% tinham excesso de peso, o equivalente a aproximadamente um em cada três estudantes. A parcela reúne 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. A classificação considerou o índice de massa corporal (IMC) de acordo com a idade e o sexo.Gordura abdominal também acompanha maior frequênciaA pressão na faixa de hipertensão também foi mais frequente entre os estudantes com maior acúmulo de gordura abdominal. Entre os participantes de sete a 18 anos cuja cintura ultrapassava a metade da altura, 40,6% apresentaram a alteração, ante 24,4% entre aqueles com a medida dentro do parâmetro adotado.Outro indicador analisado foi a circunferência abdominal em relação às referências para idade e sexo. No grupo com a medida aumentada, a proporção de pressão na faixa de hipertensão chegou a 46,3%, enquanto foi de 26,3% entre os estudantes com a medida adequada.Além das avaliações físicas, o programa investigou o estresse percebido pelos participantes. Cerca de um em cada oito relatou estresse intenso ou exagerado em casa, com 12,7%, ou na escola, com 12,5%.Prevenção começa na escolaO Brasil Coração Saudável busca incentivar hábitos saudáveis desde a infância e ampliar o conhecimento sobre os fatores de risco cardiovascular. A proposta combina avaliações de saúde e atividades educativas, com a participação de profissionais de saúde, educadores e da comunidade escolar.Segundo a SBC, a iniciativa prevê expansão para novas escolas e regiões do país. A coordenação nacional é da entidade, com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz como centro coordenador, para fortalecer a prevenção das doenças cardiovasculares ao longo da vida.







