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E se a rua onde você pisa fosse a própria montanha?

No alto da Serra das Letras, a pedra não enfeita a paisagem. Ela é a paisagem. ⬇️

Em São Thomé das Letras, o chão, as paredes e até as lembranças de viagem vêm da mesma rocha. O quartzito da serra moldou igrejas, calçadas e oficinas, e fez da cidade um exemplo vivo de como geologia e vida urbana se misturam. Quem chega ali anda, literalmente, sobre a própria história.

Por que o quartzito define São Thomé das Letras?

Porque a cidade se assenta sobre uma formação de quartzito na Serra das Letras e nunca deixou de usá-la. A rocha quebra em lascas irregulares, resiste bem ao tempo e ficou conhecida como Pedra São Tomé.

A extração de pedras para abastecer as cidades vizinhas cresceu com a chegada da ferrovia, e a atividade segue viva na economia do município. Por isso o apelido Cidade das Pedras funciona como retrato fiel do que se vê nos muros, nos telhados e nas ruas.

São Thomé das Letras: a história da Cidade das Pedras - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como a pedra seca sustenta a Igreja Matriz?

Com lascas de quartzito encaixadas umas sobre as outras, sem aglomerantes entre elas. Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), essa técnica sustenta a Igreja Matriz, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e as casas do Centro Histórico.

O método parece simples, mas pede olhar treinado e paciência. Em linhas gerais, o trabalho pode ser lido em três passos:

- Selecionar lascas irregulares de quartzito.

- Assentar as peças por sobreposição, sem aglomerantes.

- Revestir as paredes, por dentro e por fora, com massa.

A Matriz começou a subir por volta de 1785, ao lado da Gruta de São Thomé. Pela tradição, foi ali que o escravizado João Antão encontrou a imagem do santo, e as inscrições rupestres da região ajudaram a batizar a cidade.

O que o IEPHA protege no centro histórico?

O instituto protege o conjunto arquitetônico e paisagístico que rodeia a Matriz e a gruta. O tombamento do Centro Histórico foi homologado pelo Conselho Curador em 24 de abril de 1996, e a proteção da Capela de Nossa Senhora do Rosário foi mantida.

Esse reconhecimento chegou mais de dois séculos depois das primeiras pedras assentadas. Três datas ajudam a enxergar o caminho entre a capela inicial e a proteção oficial.

⏳ Três marcos da cidade de pedra

🕯️

1770, a primeira capela:

começa a construção da capela dedicada a São Tomé, origem do núcleo urbano.

⛪

1785, a Matriz:

tem início a construção da atual Igreja Matriz, em pedra seca.

🛡️

1996, o tombamento:

o conjunto do Centro Histórico ganha proteção oficial do patrimônio mineiro.

Fonte: IEPHA-MG (Bens Tombados: Centro Histórico e Igreja Matriz de São Thomé das Letras) e Prefeitura de São Thomé das Letras.

Como o quartzito vira artesanato e renda?

Ele percorre uma cadeia curta, que vai da pedreira até a loja do centro. O material das paredes históricas também abastece o artesanato local, e a economia do município segue esta sequência:

- Extração da pedra nas áreas da serra.

- Beneficiamento da Pedra São Tomé.

- Artesanato em quartzito vendido no Centro Histórico.

- Comércio ligado à visitação.

Essa proximidade entre origem e produto explica o charme das lojas da cidade serrana. A peça levada para casa carrega a mesma rocha que sustenta a Matriz.

Vale subir a Serra das Letras para ver de perto?

Vale, porque aqui a geologia deixou de ser pano de fundo e virou a própria história da cidade. Caminhar entre a Matriz, a gruta e as ruas calçadas de pedra mostra como uma rocha pode sustentar fé, ofício e identidade. Que tal reservar uma tarde, calçar um tênis firme e depois me contar qual canto de quartzito mais surpreendeu você?