As duas falhas críticas de segurança do PHP, que colocaram milhões de sites em alerta nesta semana, já eram alvo de tentativas de exploração por hackers desde 17 de outubro , quatro dias antes da divulgação das correções. A descoberta foi feita pela Amazon Web Services (AWS), que identificou atividades suspeitas em seus sistemas de monitoramento. Segundo informações divulgadas pela Wired nesta quinta-feira (22), os ataques começaram antes mesmo do vazamento de informações sobre as vulnerabilidades, ocorrido na terça-feira (20). A descoberta representa um novo desdobramento do [object Object] . As duas brechas, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, receberam classificação de gravidade de 9,2 em uma escala de 0 a 10. Apesar das tentativas registradas, ainda não há confirmação de invasões bem-sucedidas . À Wired, a PHP Foundation, organização que apoia o desenvolvimento da linguagem, afirmou não ter conhecimento de casos em que invasores conseguiram executar códigos maliciosos remotamente utilizando as vulnerabilidades. Como os hackers exploraram as falhas antes da correção? A Amazon identificou os primeiros ataques ao analisar registros de sua rede MadPot , formada por servidores-isca, conhecidos como honeypots (potes de mel, em inglês). Esses sistemas são utilizados para atrair tentativas de invasão e permitir que pesquisadores acompanhem as técnicas empregadas por criminosos. O primeiro registro, de 17 de outubro, partiu de um endereço IP associado a um serviço comercial de anonimização, como uma rede de proxies ou VPN. Segundo CJ Moses, diretor de segurança da AWS, a utilização desse tipo de infraestrutura para tentar explorar uma vulnerabilidade ainda mantida em sigilo indica uma possível atividade criminosa. Entretanto, os pesquisadores não conseguiram determinar como o responsável pelo ataque obteve informações sobre a falha antes da divulgação pública. A situação se intensificou em 21 de outubro. A Amazon identificou novas tentativas a partir das 2h UTC, equivalentes às 23h de terça-feira (20) no horário de Brasília, aproximadamente 12 horas antes da liberação das correções. Nas seis horas seguintes, outros ataques partiram de diferentes serviços de anonimização e utilizaram códigos maliciosos distintos. Para os pesquisadores, as diferenças sugerem a atuação de múltiplos grupos ou indivíduos, embora ainda não seja possível identificar os responsáveis. Milhões de tentativas de invasão após divulgação das falhas O número de ataques cresceu rapidamente depois que as vulnerabilidades se tornaram públicas. Segundo Matthew Prince, CEO da Cloudflare, a empresa registrou milhares de tentativas de exploração nas dez horas anteriores à divulgação oficial. O volume chegou a dezenas de milhares de tentativas nos primeiros 45 minutos após o anúncio e ultrapassou a marca de centenas de milhares em duas horas. Ainda na quarta-feira (21), a quantidade acumulada de tentativas identificadas pela Cloudflare já havia chegado à casa dos milhões, conforme informações divulgadas pela Reuters. A empresa também observou invasores modificando os códigos utilizados nos ataques para tentar contornar seus mecanismos de proteção. Apesar do volume, é importante diferenciar tentativas de exploração de invasões efetivamente realizadas. Os números não significam que milhões de sites tenham sido comprometidos. A Cloudflare afirma ter implementado proteções antes da divulgação oficial das vulnerabilidades, inclusive para clientes que utilizam seu serviço gratuito. Essas medidas, porém, são temporárias e não substituem a atualização do PHP. O que muda para quem já corrigiu as falhas? A descoberta de ataques anteriores à divulgação pública exige que administradores de sites verifiquem se seus sistemas foram comprometidos antes da instalação das atualizações. Segundo a Amazon, a recomendação é analisar registros de atividades suspeitas desde pelo menos 17 de outubro , e não apenas a partir de quarta-feira (21), quando as correções foram liberadas. Entre os sinais que devem ser investigados estão requisições suspeitas enviadas aos servidores, execução inesperada de processos e alterações desconhecidas em arquivos. A aplicação das correções impede a exploração das vulnerabilidades conhecidas, mas não desfaz eventuais alterações realizadas por invasores anteriormente. A AWS também alerta que o avanço da inteligência artificial pode reduzir o intervalo entre a divulgação de uma falha e o desenvolvimento de ferramentas capazes de explorá-la. Segundo a empresa, ferramentas de IA permitem analisar correções e identificar maneiras de contorná-las em questão de horas ou minutos. Entretanto, não há evidências de que os ataques identificados neste caso tenham utilizado inteligência artificial. A descoberta reforça a preocupação com a segurança do PHP, [object Object] . Até o momento, as empresas responsáveis pelo monitoramento não divulgaram um número confirmado de sites efetivamente invadidos por meio das duas vulnerabilidades. Confira também: Falhas no PHP chegam ao Brasil e fazem Anatel e tribunais suspenderem sistemas






