A inteligência artificial (IA) já faz parte da jornada de saúde de quase metade dos pacientes que utilizam essas ferramentas. Uma pesquisa realizada pelo Research & Innovation Center, núcleo de pesquisa da Afya, com a healthtech Conexa, mostra que 79% dos brasileiros entrevistados utilizam ferramentas de inteligência artificial no dia a dia, e 49% recorrem à tecnologia em situações relacionadas à saúde. Entre esses usuários, 66% utilizam a IA para tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos.O acesso rápido à informação pode ajudar o paciente a entender melhor uma condição ou organizar dúvidas para levar ao profissional de saúde, mas também exige cuidado, principalmente quando a ferramenta é utilizada para interpretar sintomas ou tomar decisões sobre tratamentos. Para o médico Carlos Renato Periotto, docente do curso de pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica Campo Grande, a inteligência artificial deve ser utilizada como apoio à informação, e não como substituta da avaliação profissional.“Na saúde mental, sintomas como ansiedade, insônia, tristeza, irritabilidade ou dificuldade de concentração podem aparecer em diferentes transtornos e também em situações normais da vida. Para chegar a um diagnóstico, é necessário considerar o contexto, a história clínica e outros aspectos que uma ferramenta de inteligência artificial não consegue avaliar da mesma forma que um profissional”, explica.Abaixo, o especialista reúne 5 cuidados para quem utiliza a IA para tirar dúvidas relacionadas à saúde. Confira!1. Não use a IA para fazer um diagnósticoUma busca por sintomas pode apresentar diversas possibilidades, mas isso não significa que a pessoa tenha determinado transtorno ou doença. Sintomas como ansiedade, dificuldade para dormir, tristeza, irritabilidade e falta de concentração podem estar relacionados a diferentes condições ou até mesmo a situações passageiras da vida. O diagnóstico depende de uma avaliação que considere o histórico do paciente, o contexto em que os sintomas aparecem, a duração dos sintomas e outros fatores.O comportamento identificado pela pesquisa ajuda a dimensionar esse desafio. Segundo o levantamento, 66% dos pacientes que utilizam IA em situações relacionadas à saúde recorrem à tecnologia para tirar dúvidas sobre sintomas, doenças ou diagnósticos. A ferramenta pode ajudar a organizar dúvidas e ampliar o acesso à informação, mas não deve ser usada para confirmar ou descartar um diagnóstico.2. Desconfie de respostas muito convincentesUma resposta bem escrita e apresentada com segurança pode transmitir a impressão de que a informação está necessariamente correta. No entanto, a inteligência artificial pode fornecer respostas incompletas ou equivocadas.“É importante lembrar que a forma como uma informação é apresentada não garante que ela esteja correta. Quando a dúvida envolve saúde, principalmente se puder influenciar uma decisão, a recomendação é confirmar a informação em fontes confiáveis ou conversar com um profissional”, orienta Carlos Renato Periotto.Quanto maior for a consequência de uma decisão, maior deve ser o cuidado com a fonte utilizada para obter a informação.3. Não altere medicamentos por orientação da IAA recomendação ganha importância diante do comportamento identificado pela pesquisa: 49% dos pacientes que utilizam IA para questões de saúde recorrem às ferramentas para buscar informações sobre medicamentos.Segundo Carlos Renato Periotto, informações sobre medicamentos podem ajudar o paciente a compreender melhor um tratamento e a preparar perguntas para a consulta, mas decisões sobre iniciar, suspender ou alterar doses devem ser tomadas com acompanhamento profissional.Antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores do humor e outros medicamentos podem ter indicações, efeitos colaterais, interações e formas específicas de utilização. Alterar a dose ou interromper o tratamento sem avaliação médica pode trazer riscos.4. Evite compartilhar dados pessoaisAo utilizar uma ferramenta de inteligência artificial para tirar dúvidas sobre saúde, não é necessário informar dados que permitam identificar a pessoa. Nome completo, número de documentos, endereço, telefone e outras informações pessoais não são necessários para fazer uma pergunta geral sobre sintomas ou tratamentos.Em situações que envolvem saúde mental, também vale ter cautela ao inserir relatos muito detalhados sobre a própria vida ou informações de terceiros. Quanto menos dados pessoais forem compartilhados, menor será a exposição desnecessária de informações privadas.5. Use a IA como apoio, não como substituta do cuidadoA inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil para ajudar a compreender termos médicos, organizar informações, conhecer conceitos sobre sintomas e tratamentos ou preparar perguntas para uma consulta. A própria pesquisa mostra que, apesar da adoção da tecnologia, o contato humano continua sendo valorizado: 67% dos pacientes afirmam preferir conversar diretamente com um médico, e 56% não confiariam em uma consulta 100% conduzida por IA.Ela não substitui, porém, a avaliação de um profissional de saúde. Em situações de sofrimento intenso, risco de suicídio, confusão, agitação grave ou perda significativa da capacidade de realizar atividades do dia a dia, a orientação é buscar avaliação humana e, quando necessário, atendimento imediato.“Ela pode ser uma ferramenta complementar para informação e educação em saúde, mas não deve ocupar o lugar do cuidado profissional. Quando existe sofrimento importante ou uma situação que exige uma decisão clínica, é fundamental procurar ajuda adequada”, afirma Carlos Renato Periotto.Por Julia Costa e Costa
















